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Tatiana Salem Levy Valéria Piassa Polizzi
Márcio-André Ana Paula Maia
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Eu estava no Dizer Poesia do Bairro Peixoto, no Café Vommaro, em Copacabana, quando um homem pediu para ler alguns poemas do seu livro Intérprete do Mal. Timidamente, disse seu nome: Elias Costa. Em seguida, com um sotaque que denunciava sua origem – Goiânia - explicou que era a primeira vez que pisava no Rio de Janeiro. E declarou ainda que, além de poeta, era policial militar.
No fim do evento, resolvi marcar uma conversa com o poeta na Livraria Argumento, no falecido Café Severino, na Barata Ribeiro. À paisana, ele contou como mistura a paixão pela poesia com a brutalidade do ofício militar. Elias Costa é autor de quatro livros de poesias: Sonhos de um Bruxo, Flor na Tempestade, A Águia Escarlate e O Intérprete do Mal. É raro, mas existe ‘policial-poeta’. Confira. POLICIAL-POETA Click(IN)VERSOS – Você é poeta e policial?
ELIAS COSTA – Sim, sou eu. Mas na poesia uso Elias Costa. Click(IN)VERSOS – Você trabalha em Brasília, mas nasceu em Goiânia?
Click(IN)VERSOS – Você já conhecia o Rio de Janeiro? ELIAS COSTA – Não, é a primeira vez que visito o Rio. Fiz questão de conhecer os morros de Copacabana. Fui, à paisana, em dois morros que não lembro o nome. Lá em cima, se alguém perguntasse, eu diria que era poeta. (RISOS) O Rio é lindo.
ELIAS COSTA – Eu era muito curioso, destoei das crianças que residiam perto da minha família. Naquele tempo nós não tínhamos televisão, então busquei entretenimento fora de casa. Foi ótimo o ensinamento do meu pai porque não fiquei ‘bitolado’ com a mídia. Fui para o mundo para conhecer a vida, observar o cotidiano das pessoas. Eu passei a buscar assunto nos livros. Gosto muito de ler: (Willian) Blake, Victor Hugo, Baudelaire, Omar Caian... Uma literatura variada. Não senti falta da TV, acostumei. Meu pai gostava muito de música clássica e música francesa, era tudo diferente lá em casa. Só aos 19 anos que comprei uma televisão, mas até hoje assisto pouco. Vi muito desenho do Pica-Pau e Pato Donald. (RISOS) Lá em casa tem duas televisões grandes, mas quase não vejo nada. Moro numa chácara no lado Norte de Brasília, prefiro dedicar meu tempo às plantas. Click(IN)VERSOS – Quando você começou a se despertar para a escrita? ELIAS COSTA – Eu escrevo desde os 14 anos de idade. Mas aos 19 anos surgiu o desejo de publicar, eu já tinha umas cento e poucas poesias. Nessa época eu já era Cadete da Polícia Militar. Então, um escritor goiano chamado José Mendonça Telles teve acesso às minhas poesias. Foi através dele que publiquei meu primeiro livro Sonhos de um Bruxo, com uma tiragem de mil exemplares. Click(IN)VERSOS – O que você lê?
ELIAS COSTA – Aqui no Rio foi a primeira vez que falei minhas poesias. Em Brasília eu fico muito acanhado.
Click(IN)VERSOS – Por que você optou pela carreira militar? ELIAS COSTA – Não foi uma questão de escolha, mas de circunstância. Em Brasília, o policial militar ganha muito bem. E também porque sou muito apegado à questão da justiça. Eu trabalho na área operacional, na rua. Já troquei muito tiro. 3Set2008 - 23:48 | ( 0 ) comentários
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