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ELIAS COSTA

                                                                          Por Ramon Mello

 

 

Eu estava no Dizer Poesia do Bairro Peixoto, no Café Vommaro, em Copacabana, quando um homem pediu para ler alguns poemas do seu livro Intérprete do Mal. Timidamente, disse seu nome: Elias Costa. Em seguida, com um sotaque que denunciava sua origem – Goiânia - explicou que era a primeira vez que pisava no Rio de Janeiro. E declarou ainda que, além de poeta, era policial militar.


As pessoas fizeram silêncio para ouvir as poesias de cunho social, religioso e sexual. Elias esboçou um sorriso e fez outra revelação: ‘é a primeira vez que falo minhas poesias’. Ele mora e trabalha em Brasília, mas sente-se desconfortável em recitar para os colegas da cidade.

 

No fim do evento, resolvi marcar uma conversa com o poeta na Livraria Argumento, no falecido Café Severino, na Barata Ribeiro. À paisana, ele contou como mistura a paixão pela poesia com a brutalidade do ofício militar.

 

Elias Costa é autor de quatro livros de poesias: Sonhos de um Bruxo, Flor na Tempestade, A Águia Escarlate e O Intérprete do Mal. É raro, mas existe ‘policial-poeta’. Confira.


 

POLICIAL-POETA

 

 

Click(IN)VERSOS – Você é poeta e policial?


ELIAS COSTA – Sim. Além de poeta, sou 1º Tenente da Polícia Militar do Distrito Federal. Fico lotado no 3º Batalhão, que compreende a maior área de Brasília: Asa Norte, Lago Norte, Varjão, Granja do Torto, Vila Planalto, Colorado, Setor Militar Urbano e as demais áreas. Há muitas comunidades problemáticas com características bastante parecidas com as das favelas do Rio de Janeiro.


Click(IN)VERSOS – Joaquim Elias Costa Paulino?

 

ELIAS COSTA – Sim, sou eu. Mas na poesia uso Elias Costa.

 

Click(IN)VERSOS – Você trabalha em Brasília, mas nasceu em Goiânia?


ELIAS COSTA – Exatamente. Nasci em Goiânia e resido no Distrito Federal há cerca de 16 anos. Decidi ir para Brasília para estudar no Colégio Militar. Depois prestei vestibular para Direito na UnB e para o Curso Superior de Segurança Pública. Passei nos dois, mas fiquei com a Segurança Pública, que forma os oficiais da polícia militar do DF.

 

Click(IN)VERSOS – Você já conhecia o Rio de Janeiro?

 

ELIAS COSTA – Não, é a primeira vez que visito o Rio. Fiz questão de conhecer os morros de Copacabana. Fui, à paisana, em dois morros que não lembro o nome. Lá em cima, se alguém perguntasse, eu diria que era poeta. (RISOS) O Rio é lindo.


Click(IN)VERSOS –
Como foi a sua infância?

 

ELIAS COSTA – Eu era muito curioso, destoei das crianças que residiam perto da minha família. Naquele tempo nós não tínhamos televisão, então busquei entretenimento fora de casa. Foi ótimo o ensinamento do meu pai porque não fiquei ‘bitolado’ com a mídia. Fui para o mundo para conhecer a vida, observar o cotidiano das pessoas. Eu passei a buscar assunto nos livros. Gosto muito de ler: (Willian) Blake, Victor Hugo, Baudelaire, Omar Caian... Uma literatura variada. Não senti falta da TV, acostumei. Meu pai gostava muito de música clássica e música francesa, era tudo diferente lá em casa. Só aos 19 anos que comprei uma televisão, mas até hoje assisto pouco. Vi muito desenho do Pica-Pau e Pato Donald. (RISOS) Lá em casa tem duas televisões grandes, mas quase não vejo nada. Moro numa chácara no lado Norte de Brasília, prefiro dedicar meu tempo às plantas.

 

Click(IN)VERSOS – Quando você começou a se despertar para a escrita?

 

ELIAS COSTA – Eu escrevo desde os 14 anos de idade. Mas aos 19 anos surgiu o desejo de publicar, eu já tinha umas cento e poucas poesias. Nessa época eu já era Cadete da Polícia Militar. Então, um escritor goiano chamado José Mendonça Telles teve acesso às minhas poesias. Foi através dele que publiquei meu primeiro livro Sonhos de um Bruxo, com uma tiragem de mil exemplares.

 

Click(IN)VERSOS – O que você lê?


ELIAS COSTA – Gosto de autores clássicos da Literatura Brasileira. Meu primeiro contato com a poesia brasileira foi na infância, meu pai tinha muitos livros: Augusto dos Anjos, Alvarez de Azevedo, Vinícius de Moraes, Mário Quintana... Li e leio todos eles. E acompanho os autores de Goiânia: Gilberto Mendonça Telles, Anderson Braga Horta, Fernando Mendes Vianna, José Jeronymo Rivera, José Mendonça Telles...


Click(IN)VERSOS – Você gosta de falar poesia?

 

ELIAS COSTA – Aqui no Rio foi a primeira vez que falei minhas poesias. Em Brasília eu fico muito acanhado.


Click(IN)VERSOS – O que sua família pensa sobre o poeta Elias Costa?


ELIAS COSTA –
Meu pai acha bacana. Ele também escreve algumas poesias. Coloquei uma poesia dele no meu livro Interprete do Mal.


Click(IN)VERSOS –
Os seus colegas policiais têm preconceito com sua atividade poética?

ELIAS COSTA –
No começo tive um pouco de dificuldade. Por inveja ou ignorância, não sei explicar, as pessoas me olhavam com os olhos diferentes. Alguns não compreendiam o fato de ser ‘polícia’ e fazer poesia. E isso me prejudicou em determinado momento. Tinha muito preconceito, sofri. Mas acabei vencendo e conquistando espaço. Tenho quatro livros publicados: Sonhos de um Bruxo, Flor na Tempestade, A Águia Escarlate e O Intérprete do Mal. Hoje é diferente.

 

Click(IN)VERSOS – Por que você optou pela carreira militar?

 

ELIAS COSTA – Não foi uma questão de escolha, mas de circunstância. Em Brasília, o policial militar ganha muito bem. E também porque sou muito apegado à questão da justiça. Eu trabalho na área operacional, na rua. Já troquei muito tiro.

LEIA A SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA, AQUI!

3Set2008 - 23:48 | ( 0 ) comentários
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